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O homem dos ‘minhocões’ quer voltar: cuidado!


minhocão

Há quem afirme que ele poderá vir mesmo, a despeito da difícil barreira das urnas eleitorais, com a qual naturalmente não tem ele grande familiaridade. É, pois, uma ameaça que paira sobre as nossas cabeças.

Figura tão conhecida que é, dispensam-se enunciar os tipos de realização que tem reservados para o “povo”. Ele virá com minhocões, pontes, viadutos, estradas, demagogias, nova capital para São Paulo e perfurações da Paulipetro em busca de “gases”. Gastos, muitos gastos. A fome pantagruélica pelo poder maior do Planalto o impelirá, ainda uma vez, a realizar saraus e festas, a distribuir comendas e ambulâncias a outros Estados da Federação, a fazer “trens da alegria” e viagens nababescas pelas arábias…

O que faltará mesmo em sua gestão de governo é o essencial e o mais urgente. Faltará a valorização do Homem. Investimentos no homem e nas obras voltadas para o genuinamente social faltarão. É facílimo perceber: sobrarão obras de concreto e aço, mas, o principal, o sofrido povão — sem saúde, sem escola, sem habitação e sem alimentação — estará com certeza alijado e esquecido como da vez anterior. Ou já não terá o “dito cujo” dado sobejas mostras de insensibilidade para com as agruras do nosso povo? É só chamarmos à memória as “malufarias” de quatro anos atrás. Ainda clama aos céus o seu descaso pela saúde e educação, duas áreas básicas, duas necessidades inadiáveis de nossa gente espoliada e abandonada em seu governo. A propósito, lembram-se dos insultantes aumentos salariais que ele costumava dar aos professores? Lembram-se dele indo, depois, à televisão para dizer que os professores ganhavam bom salário?

Que nós, brasileiros de São Paulo, nos cuidemos para não termos de sorver o “amargo cálix” pela segunda vez: apenas lhe negarmos o voto é muito pouco, é preciso trabalharmos contra sua eleição. É o mínimo que se pode esperar de um povo inteligente.

Nilberto de Matos Amorim

Publicado na Gazeta de São Bernardo em 18/10/1986, pag. 3

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