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TIROS EM COLUMBINE

Nilberto de Mattos Amorim

   “Tiros em Columbine” (Oscar 2003) é um documentário que vem causando estupendo impacto em todo o mundo. A razão – justificada – prende-se à precisão com que ele identifica e alveja estruturas e pessoas que geram e fazem expandir a cultura do ódio, da violência e de outros malefícios que assolam a contemporaneidade. Trata-se de filme que alçou Michel Moore, seu realizador, à condição de crítico implacável do seu próprio País – os EUA – exatamente o lugar onde ele localiza aquelas estruturas e pessoas, e contra as quais lança a “artilharia pesada” da sua crítica.

O filme constitui expressão suprema dessa crítica, ao evidenciar cruamente mazelas por ele tidas como inerentes à cultura norte-americana. Assim, no plano interno do País, denuncia a expansão em larga escala não só de um apego por armas de fogo, mas também o uso e o abuso delas, o que – aliado a outros ingredientes (individualismo, intolerância racial, medo, consumismo, tendência de ver o mundo bipartido entre o bem e o mal, etc) – cria as condições propícias para o surgimento de um ambiente explosivo, em que os indivíduos tendem a resolver os problemas à base do gatilho ou com bombas.

No plano externo, Moore denuncia a tendência do seu País de “bancar” o xerife do mundo, com intromissões em questões domésticas de outros países e, não raro, fazendo intervenções militares ou guerras. Ora, considerando o peso da liderança mundial e hegemônica que tem a cultura norte-americana, assistir a “Tiros em Columbine” e refletir sobre ele, torna-se uma obrigatoriedade.

(no folder de apresentação do filme, em semana de cinema FACULDADES OSWALDO CRUZ E TEATRO SÃO PEDRO/SP, da qual o autor foi um dos organizadores)