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O HOMEM DOS “MINHOCÕES”

Nilberto de Matos Amorim
A large yellow excavator sitting on top of a pile of dirt

Todos sabem a quem nos referimos. Pois é, ele quer voltar. Para isso, trabalha incansável e compulsivamente. Certamente, com os métodos que lhe são próprios, os tão conhecidos, refinados e ardilosos métodos que já fazem parte do anedotário e da vergonha nacional. Há quem afirme que ele poderá vir mesmo, a despeito da difícil barreira das urnas eleitorais, com a qual naturalmente não tem ele grande familiaridade. É, pois, uma ameaça que paira sobre as nossas cabeças.

Figura tão conhecida que é, dispensam-se enunciar os tipos de realizações que tem reservadas para o “povo”. Ele virá com minhocões, pontes, viadutos, estradas, demagogias, nova capital para São Paulo e perfurações da Paulipetro em busca de “gases”. Gastos, muitos gastos. A fome pantagruélica pelo poder maior do Planalto o impelirá, ainda uma vez, a realizar saraus e festas, a distribuir comendas e ambulâncias a outros Estados da federação, a fazer “trens da alegria” e viagens nababescas pelas arábias...

Que faltará mesmo em sua gestão de governo é o essencial e o mais urgente. Faltará a valorização do Homem. Investimentos no homem e nas obras voltadas para o genuinamente social faltarão . É facílimo perceber: sobrarão obras de concreto e aço, mas, o principal, o sofrido povão – sem saúde, sem escola, sem habitação e sem alimentação – estará com certeza alijado e esquecido como da vez anterior. Ou já não terá o “dito cujo” dado sobejas mostras de insensibilidade para com as agruras do nosso povo? É só chamarmos à memória as “malufarias” de quatro anos atrás. Ainda clama aos céus o seu descaso pela saúde e educação, duas áreas básicas, duas necessidades inadiáveis de nossa gente, espoliada e abandonada em seu governo.

A propósito, lembram-se dos insultantes aumentos salariais que ele costumava dar aos professores? Lembram-se dele indo, depois, à televisão para dizer que os professores ganhavam bom salário?

Que nós, brasileiros de São Paulo, nos cuidemos para não termos de sorver o “amargo cálix” pela segunda vez: apenas lhe negarmos o voto é muito pouco, é preciso trabalharmos contra sua eleição. É o mínimo que se pode esperar de um povo inteligente.

(publicado na GAZETA DE S. BERNARDO, 18/10/1986, p. 3)