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BABILÔNIA

A manifestação do mal é infalível; fecha o cerco em torno de nós através de vasto sistema que compreende pessoas, instituições, nações, línguas, artefatos, estratégias, ideias, doutrinas etc. E Babilônia é termo que o traduz bem.

  

A antiga cidade, ou a primeira civilização da história humana designada por tal nome, não ficou soterrada no passado, jazendo hoje em dia tão-somente em escombros ou em relatos de arqueólogos. Bem ao contrário disso, Babilônia se repete ao longo das eras. É protótipo permanente de civilização que se rebela contra Deus, é o equivalente de idolatria, orgulho, despotismo, malvadez, confusão, luxúria e prostituição. O apóstolo João a retratou no Apocalipse como a mãe das meretrizes, associando-a à Roma do seu tempo – a Roma das monstruosidades, da sede de sangue de inocentes, das depravações e vícios sexuais (pedofilia, pederastia, pornografia, homossexualismo, lesbianismo).

  

Decididamente, Babilônia sobrevive e inspira multidões em nosso século XXI. Observemos como, cada vez mais, ela conquista e coloniza vastas porções de nossa civilização; como, cada vez mais, constitui força invasora e colonizadora de corações e mentes. E tal é facilitado graças ao fato de contar com prodigioso aliado que são os impérios midiáticos da atualidade. Sendo este o caso – penso em termos de Brasil – a televisão, tal qual vai com seus big-brothers e novelas (tudo a ver com Babilônia), vem a ser exemplo frisante desse tipo de aliado. Porque, ou muito me engano, ou a tirania e escravidão à fascinação do mal que atingem milhões de brasileiros, milhões e milhões de olhos colados às telas no tempo-espaço das oito da noite, representam, de fato, verdadeira conquista da velha Babilônia.

De resto, eis que o nosso infeliz povo acaba de ser surpreendido com a trama – isso mesmo - Babilônia, novela que, decerto, fará a delicia das multidões de aficionados. O nome da “dita cuja” foi adotado, segundo informe da emissora, por alusão a “Morro Babilônia”, região do Rio de Janeiro onde cenas teriam sido tomadas. De nossa parte, porém, garantimos que a inspiração profunda e essencial da novela advém mesmo é da Babilônia, da terrível, da imoral, da vil e despudorada cidade que a Palavra de Deus chama de “mãe das meretrizes”. Senão, por que novela com conteúdo tão repleto de brigas, de traições amorosas, de vinganças, assassinato, ciúmes, abortos, gravidez ilegal e esquemas de corrupção? Por que personagens gays? A resposta quanto à fonte inspiradora evidencia-se no próprio núcleo central da trama – a relação homoafetiva das duas protagonistas idosas.

E no tocante ao cristão ante a Babilônia? A repulsa deste provocada pelas declarações, abraços e beijos trocados entre as duas idosas será bastante compreensível. Sua não inclusão entre os telespectadores da novela sinalizará atitude estética louvável. Mas tudo isso é muito pouco. A indignação, a denúncia e o combate do cristão valem muito nesta hora.

(Publicado no Jornal Comunhão, 2015)